Guia PDRN

Cabelo e couro cabeludo

PDRN para cabelo: funciona contra a queda?

PDRN (DNA de salmão) para cabelo: o que os estudos dizem sobre injeções no couro cabeludo, sérums e tônicos contra a queda, e quais são os riscos.

Atualizado em · 6 min de leitura

Resposta curta

A evidência sobre PDRN (o "DNA de salmão") para cabelo é muito fraca. Há dois estudos pequenos de PDRN injetado no couro cabeludo e alguns de PN (polinucleotídeos, da mesma família do PDRN, mas com fragmentos de DNA mais longos), e nenhum tem grupo placebo. Para sérums, tônicos e shampoos de PDRN não existe nenhum estudo clínico. Se a queda de cabelo preocupa você, o primeiro passo é um dermatologista, não um cosmético.

O que foi estudado

A queda “de padrão” ou alopecia androgenética é a calvície comum, hereditária, em homens e mulheres (nelas, chamada também de alopecia de padrão feminino).

Estudo Como Resultado Limitações
Lee et al., 2015 (Coreia) 40 mulheres com alopecia de padrão feminino; 12 injeções semanais de PDRN; metade recebeu antes uma sessão de PRP (plasma rico em plaquetas, obtido do próprio sangue). Não consta que os grupos tenham sido sorteados Com PDRN sozinho: +17,9% na contagem de fios e +13,5% na espessura, em relação ao início. Com PRP + PDRN: +23,2% e +16,8%; em comparação com o PDRN sozinho, a combinação melhorou mais a espessura, mas não a contagem Sem placebo nem grupo sem tratamento
Cho et al., 2016 (Coreia) 16 pessoas com queda de padrão; 12 sessões semanais de PDRN injetado, combinado com laser de túlio ou mesoterapia (várias microinjeções no couro cabeludo) Contagem de fios: +20,4% com laser + PDRN e +9,7% com mesoterapia + PDRN, em relação ao início Sem placebo; combinado com outros tratamentos, não dá para isolar o PDRN
Thanasarnaksorn et al., 2025 (Tailândia) 28 pessoas com alopecia androgenética; 4 injeções de PN (polinucleotídeos), uma a cada 4 semanas Melhora de diâmetro e densidade; 60,7% “estabilizados” segundo o dermatologista Sem grupo controle; PN não é exatamente PDRN
Outros estudos com PN (2024–2026) Géis e injeções de PN em grupos pequenos Resultados preliminares Sem placebo; PN, não PDRN
Produtos tópicos (sérum, tônico, shampoo) — Nenhum estudo clínico encontrado —

Sem grupo placebo, não dá para saber quanto da melhora é do PDRN. A própria picada da agulha estimula o folículo (num ensaio com 100 homens, acrescentar microagulhamento ao minoxidil melhorou mais o cabelo do que o minoxidil sozinho), e muitos tipos de queda, como a que vem depois de um parto, de uma doença ou de estresse, melhoram sozinhos com o tempo.

Por que se fala tanto de PDRN para cabelo

Porque o PDRN tem um ensaio clínico grande na cicatrização de feridas (úlceras de pé diabético, com injeções), embora a diretriz internacional de pé diabético desaconselhe o uso, e a ideia de “regenerar” foi levada para o couro cabeludo. A hipótese é que ele melhore o ambiente do folículo (menos inflamação, mais vasos). É uma hipótese plausível, mas ainda não foi testada como deveria: com placebo, mais pessoas e mais tempo.

E o marketing fez o resto: várias marcas lançaram sérums capilares com PDRN, embora ninguém os tenha testado (veja a seguir).

E os sérums e tônicos?

Aqui há dois problemas:

  1. Ninguém testou. Não encontramos nenhum estudo de PDRN aplicado no couro cabeludo.
  2. O DNA é uma molécula enorme. Mesmo na pele do rosto não está provado que ele atravesse a barreira em quantidade relevante (explicamos no sérum de PDRN); chegar ao folículo é ainda mais difícil.

Isso não quer dizer que esses produtos façam mal. Quer dizer que não há base para esperar que tratem a queda. No Brasil, cosméticos também não podem prometer tratamento: desconfie de tônicos “antiqueda” com PDRN que prometem fazer o cabelo crescer.

Injeção de PDRN no couro cabeludo no Brasil

Segundo o parecer 2936/2025 do CRM-PR, aprovado em maio de 2025 após uma consulta à base da ANVISA, os produtos com PDRN regularizados eram cosméticos de uso tópico, e injetá-los não é permitido. Se alguém oferecer injeção de PDRN para cabelo, desconfie: peça para ver a embalagem, confira na consulta da ANVISA se o produto está registrado como medicamento ou produto para saúde (um número de cosmético não autoriza injeção) e procure um dermatologista. Desconfie também de pacotes caros de “mesoterapia com PDRN” em centros sem médico.

A mesoterapia com substâncias não testadas já causou queda de cabelo em placas, e qualquer injeção estética pode causar infecções. Se, depois de uma aplicação, surgir dor, pus, nódulos ou falhas no cabelo, procure um dermatologista.

As injeções de PDRN não são indicadas na gravidez e na amamentação nem em quem tem alergia a peixe ou frutos do mar.

E os exossomos para cabelo?

Exossomos não são PDRN: são vesículas minúsculas liberadas pelas células, que carregam proteínas e outras moléculas. Os oferecidos para cabelo vêm sobretudo de células-tronco cultivadas (de gordura, placenta ou cordão umbilical, por exemplo) ou de plantas, e são injetados ou aplicados no couro cabeludo depois do microagulhamento, às vezes em pacotes junto com PDRN.

A evidência em pessoas é muito limitada:

  • Uma revisão sistemática de 2025 reuniu 11 estudos clínicos de exossomos contra a queda de cabelo. Só 2 eram ensaios randomizados; o resto, estudos retrospectivos ou sem grupo de comparação e relatos de casos. Todos descreviam alguma melhora e nenhum, efeitos adversos graves, mas os autores alertam que são estudos pequenos, muito diferentes entre si e com acompanhamento de duração muito variável, e pedem ensaios melhores.
  • Outra revisão de 2025 contou 125 pessoas tratadas com exossomos para queda de cabelo, em 9 estudos. Neles, os efeitos colaterais foram raros, mas, na dermatologia como um todo, já foram publicados pelo menos 10 eventos adversos graves. Os autores pedem ensaios maiores e com acompanhamento mais longo, padrões de fabricação comuns e fiscalização das autoridades sanitárias.

Nos Estados Unidos, a FDA alertou em 2019 que não havia nenhum produto de exossomos aprovado e que vários pacientes tratados com produtos não aprovados que diziam conter exossomos tiveram eventos adversos graves. No Brasil, a Anvisa recebeu em 2025 uma denúncia de cosméticos injetáveis com exossomos à venda, com sites que prometiam tratar alopecia, melasma e inflamação. Pela Resolução-RE n.º 1.257, de 31 de março de 2025, mandou recolher e suspendeu a fabricação, a venda e o uso de produtos de duas empresas, porque a embalagem induzia a erro sobre a forma de aplicação, o rótulo não explicava o modo de uso e a propaganda fazia promessas terapêuticas. A Anvisa negou os recursos das empresas em julho de 2025 e, em julho de 2026, o diretor relator votou por manter a decisão. Como no caso do PDRN, um cosmético com exossomos é de uso externo e não autoriza injeção. Se oferecerem, peça para ver a embalagem, confira o registro na consulta da ANVISA e fale antes com um dermatologista.

O que fazer se o cabelo está caindo

  • Procure um dermatologista: a queda pode ter muitas causas (hormonal, genética, deficiência de ferro, estresse, tireoide), e cada uma tem um tratamento.
  • Para a alopecia androgenética existem tratamentos com muito mais estudos, como o minoxidil (para homens e mulheres) e, nos homens, a finasterida. A finasterida é aprovada só para homens; em mulheres, ela e outros antiandrogênicos (remédios que reduzem ou bloqueiam o efeito dos hormônios masculinos) só devem ser usados com indicação médica e nunca na gravidez, porque podem prejudicar o feto. Mulheres grávidas ou que possam engravidar também não devem tocar em comprimidos de finasterida partidos. Há outras opções médicas que o dermatologista pode avaliar. Todos esses tratamentos devem ser indicados e acompanhados por um médico. O PDRN não substitui nenhum deles.
  • Tenha paciência com o tratamento: o minoxidil precisa de pelo menos 4 meses, e às vezes até 1 ano, para mostrar efeito; com a finasterida, a melhora pode levar 3 meses ou mais, e avalia-se em 12 meses. Não abandone um tratamento eficaz por um cosmético.
  • Se quiser usar um sérum de PDRN, encare-o como um cuidado cosmético do couro cabeludo, sem esperar que ele trate a queda, e nunca no lugar do tratamento indicado pelo dermatologista.

Para entender melhor o ingrediente, veja o que é PDRN e o que a ciência diz.

Perguntas frequentes

Sérum ou tônico de PDRN faz o cabelo crescer?

Não se sabe, e não há motivo para esperar isso: não há nenhum estudo clínico com PDRN aplicado no couro cabeludo (sérum, tônico ou shampoo), e não está provado que o DNA atravesse a pele. Os poucos estudos sobre cabelo usaram injeções.

PDRN substitui minoxidil ou finasterida?

Não. Ninguém comparou o PDRN com esses tratamentos, que têm muito mais estudos e devem ser indicados por um médico. A finasterida é para homens: mulheres grávidas ou que possam engravidar não devem usá-la nem tocar em comprimidos partidos, porque pode prejudicar o feto. Não troque o tratamento indicado pelo seu dermatologista por um produto com PDRN.

Quanto tempo o PDRN leva para fazer efeito no cabelo?

Nos dois estudos com PDRN injetado, foram 12 sessões semanais (cerca de 3 meses) até medir o resultado. Nenhum estudo acompanhou as pessoas depois de parar, então não se sabe quanto o efeito dura. Para produtos tópicos não há dados.

PDRN para cabelo tem efeitos colaterais?

Nos estudos com injeções no couro cabeludo, feitos por médicos com poucas pessoas, não houve efeitos graves; as reações descritas são locais (vermelhidão, inchaço, hematomas). Fora dos estudos, a mesoterapia (várias microinjeções no couro cabeludo) com substâncias não testadas já causou queda de cabelo em placas, e qualquer injeção estética pode causar infecções. Quem tem alergia a peixe ou frutos do mar, ou está grávida ou amamentando, deve evitar as injeções.

Exossomos funcionam para queda de cabelo?

Não está provado. Exossomos não são PDRN: são vesículas minúsculas liberadas pelas células. Há poucos estudos em pessoas, quase todos pequenos e sem grupo de comparação; só uns dois são ensaios randomizados. Nos Estados Unidos, a FDA alertou em 2019 que não havia nenhum produto de exossomos aprovado, e no Brasil a Anvisa já mandou recolher cosméticos com exossomos vendidos para injeção. Um cosmético não deve ser injetado. Se a queda preocupa você, comece por um dermatologista.

Fontes

  1. Lee SH et al. Therapeutic efficacy of autologous platelet-rich plasma and polydeoxyribonucleotide on female pattern hair loss. Wound Repair Regen, 2015 (PMID 25524027)
  2. Cho SB et al. Therapeutic efficacy of 1,927-nm fractionated thulium laser energy and polydeoxyribonucleotide on pattern hair loss. Medical Lasers, 2016
  3. Bakshi A et al. Polydeoxyribonucleotide in female pattern hair loss: current evidence and knowledge gaps. J Cosmet Dermatol, 2026
  4. Thanasarnaksorn W et al. Polynucleotides as a novel therapeutic approach in androgenetic alopecia. Arch Dermatol Res, 2025
  5. Samadi A et al. Efficacy and tolerability assessment of a polynucleotide-based gel for improvement of pattern hair loss. Arch Dermatol Res, 2024
  6. Chen P et al. Guidelines on interventions to enhance healing of foot ulcers in people with diabetes (IWGDF 2023 update). Diabetes Metab Res Rev, 2024 (recomendação 24)
  7. Galeano M et al. Polydeoxyribonucleotide: a promising biological platform to accelerate impaired skin wound healing. Pharmaceuticals, 2021
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  9. Duque-Estrada B et al. Alopecia secondary to mesotherapy. J Am Acad Dermatol, 2009 (PMID 19577328)
  10. Carbonell RCC et al. Beauty's Betrayal: Mycobacterium abscessus case series following aesthetic procedures in the Brazilian Amazon. Infect Dis Rep, 2024 (PMID 39195006)
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  12. MedlinePlus (NIH). Minoxidil Topical
  13. MedlinePlus (NIH). Hair loss
  14. EyeWiki (American Academy of Ophthalmology). Periorbital polynucleotide injections
  15. ANVISA. Consultas: produtos regularizados
  16. Parecer CRM-PR n.º 2936/2025 sobre o uso de PDRN
  17. Al Ameer MA et al. Exosomes and hair regeneration: a systematic review of clinical evidence across alopecia types and exosome sources. Clin Cosmet Investig Dermatol, 2025 (PMID 40955427)
  18. Queen D, Avram MR. Exosomes for treating hair loss: a review of clinical studies. Dermatol Surg, 2025 (PMID 39447204)
  19. FDA (Estados Unidos). Public Safety Notification on Exosome Products, 6 de dezembro de 2019
  20. Anvisa. Voto n.º 210/2026/SEI/DIRE4 (recursos contra a Resolução-RE n.º 1.257/2025, cosméticos com exossomos)