Guia PDRN

Guia essencial

O que é PDRN e para que serve? Estudos e riscos

O que é PDRN e para que serve: de onde vem e o que os estudos mostram sobre injeções, sérums e cremes. Riscos, regulação e o que ainda não foi provado.

Atualizado em · 6 min de leitura

Resposta curta

PDRN (polidesoxirribonucleotídeo) é uma mistura de fragmentos de DNA purificados, extraídos principalmente do esperma de salmão e de truta, por isso é vendido como "DNA de salmão". Começou como medicamento injetável para cicatrização de feridas na Itália, e é aí que estão os maiores estudos, embora a diretriz internacional de pé diabético desaconselhe o uso. Em estética, os estudos são poucos, pequenos e de qualidade limitada, e a maioria usa PN (polinucleotídeos), da mesma família do PDRN, mas com fragmentos de DNA mais longos, por isso os resultados não valem automaticamente para o PDRN. Para sérums e cremes, a evidência ainda é muito fraca.

O que a ciência diz, por uso

  • Feridas (pé diabético), injetávelLimitada

    O maior ensaio (216 pacientes com pé diabético, injeções contra placebo) mostrou mais cicatrização, mas a diretriz internacional IWGDF 2023 desaconselha o uso. Em 8 semanas, a ferida fechou por completo em 37% com PDRN e em 19% com placebo, com injeções intramusculares e ao redor da ferida. A diretriz considera que esse ensaio tem risco de viés moderado e inclui o PDRN entre os medicamentos que melhoram a circulação, que recomenda não acrescentar ao tratamento padrão. Se você tem uma úlcera de pé diabético, quem decide o tratamento é a sua equipe médica.

  • Rejuvenescimento, injetável (sobretudo PN)Limitada

    Poucos ensaios pequenos, quase todos com PN (polinucleotídeos), não com PDRN. Qualidade baixa a moderada: uma revisão sistemática de 2025 inclui um ensaio de 72 pacientes que a revista retirou em 2016, e dois dos autores da revisão têm vínculo com o fabricante de um PN.

  • Sérum ou cremeMuito fraca

    Um único ensaio com creme de PDRN de salmão no rosto (31 mulheres, 28 dias), sem comparação com um creme sem ativo. Foi randomizado e duplo-cego, com autores ligados à indústria.

  • CabeloMuito fraca

    Dois estudos pequenos de PDRN injetado e alguns de PN, nenhum com placebo. Nada sobre shampoos ou tônicos.

De onde vem o PDRN

Os fragmentos de DNA do PDRN vêm sobretudo do esperma de truta arco-íris ou de salmão-keta. No PDRN de uso médico, o processo retira as proteínas e deixa mais de 95% de DNA. Nos cosméticos, o ingrediente costuma aparecer como “Sodium DNA”, e a pureza, a origem e o tamanho dos fragmentos quase nunca são informados: não é necessariamente o mesmo material dos estudos. Explicamos uso por uso em PDRN de salmão: benefícios segundo os estudos.

Na Itália ele é usado há décadas como medicamento, em injeções, cremes e colírios, para lesões e feridas. Depois passou a ser usado em clínicas de estética, sobretudo no leste da Ásia, e de lá chegou aos cosméticos que hoje são vendidos no Brasil.

Atenção à confusão de nomes: PDRN e PN (polinucleotídeos) são da mesma família e diferem no tamanho dos fragmentos: os do PN são mais longos. Muitos estudos estéticos conhecidos, e injetáveis como o Rejuran, usam PN, não PDRN. Os resultados de um não valem automaticamente para o outro.

Como ele agiria

São propostos dois mecanismos:

  1. Menos inflamação e mais reparo: o PDRN agiria num receptor das células (o receptor de adenosina A2A), o que acalmaria a inflamação e favoreceria a formação de vasos sanguíneos e a maturação dos fibroblastos, as células que produzem colágeno.
  2. Peças para produzir DNA: os fragmentos forneceriam “peças” (nucleotídeos) que células danificadas reaproveitam para produzir o próprio DNA.

Esses mecanismos vêm sobretudo de estudos de laboratório e de cicatrização de feridas, muitos do mesmo grupo de pesquisa italiano, e os próprios autores reconhecem que parte deles ainda não está bem entendida. Nada disso foi demonstrado na pele de quem usa cosméticos.

Sérum de PDRN funciona?

É a pergunta que mais importa para quem compra, e a resposta honesta é: ainda não se sabe.

  • Para creme com PDRN de salmão na pele saudável do rosto (sem feridas nem procedimentos), encontramos um ensaio randomizado e duplo-cego: 31 mulheres usaram um creme para a área dos olhos com PDRN num lado do rosto e retinol 0,1% no outro, por 28 dias. O lado com PDRN melhorou mais nas rugas ao redor dos olhos. Mas é um estudo pequeno, curto e feito por autores ligados a empresas de cosméticos: não basta para dizer que o PDRN é melhor que o retinol, que tem décadas de estudos a seu favor. Além disso, nenhum lado recebeu um creme sem ativo para comparação.
  • Os fragmentos de DNA são moléculas enormes para a pele (centenas a milhares de vezes maiores que a maioria dos ativos cosméticos). Não há prova sólida de que atravessem a pele saudável em quantidade relevante.
  • Verifique se o produto informa a concentração de PDRN (no único ensaio foi 0,1%); quase nunca o rótulo informa. E observe os outros ativos da fórmula (niacinamida, peptídeos, ácido hialurônico): eles podem explicar boa parte do resultado.

Esquema · fora de escala

Uma barreira para moléculas grandes

Camada córneaEpidermeDermeMoléculaspequenasFragmentos de DNAcentenas a milhares devezes maiores

Moléculas enormes para a pele

Os fragmentos de DNA são centenas a milhares de vezes maiores que a maioria dos ativos cosméticos.

Não há prova sólida de que atravessem a pele saudável em quantidade relevante.

Esquema, fora de escala. A explicação, com a regra dos 500 daltons e o tamanho dos fragmentos, em sérum de PDRN: o DNA atravessa a pele?.

Em resumo: um sérum de PDRN pode funcionar como hidratante, em boa parte graças aos outros ingredientes, mas não espere dele o que se lê sobre as injeções. Detalhamos em sérum de PDRN funciona?.

Como é uma injeção de PDRN? Efeitos colaterais

  • Para que é usada: nos protocolos descritos em referências clínicas (sobretudo com PN), principalmente para rugas finas ao redor dos olhos e nas bochechas e para melhorar a textura da pele. São 2 a 3 sessões com cerca de 2 semanas de intervalo. O efeito é modesto (um pouco mais de hidratação, firmeza e textura melhor) e temporário: dura em geral de 6 a 12 meses e depois exige manutenção.
  • Quem aplica: o recomendável é que seja um profissional de saúde habilitado, de preferência dermatologista, em consultório, com um produto injetável cuja embalagem e registro você possa ver. Quem pode fazer injetáveis estéticos depende das regras de cada conselho profissional.
  • Como é a sessão: quase tudo o que foi publicado é sobre injetáveis de PN, como o Rejuran. Segundo o distribuidor dele na Austrália, primeiro a pele recebe um creme anestésico por cerca de 15 a 20 minutos; depois são feitas muitas injeções pequenas na pele, com uma agulha bem fina, e a sessão dura uns 30 minutos.
  • Depois: o mesmo distribuidor recomenda evitar por um tempo o calor intenso (sauna, banho de vapor) e exercícios intensos, não apertar nem massagear a região por 24 a 48 horas e usar protetor solar todos os dias.
  • Efeitos colaterais: o mais comum é vermelhidão, inchaço, pequenos hematomas (roxos) e pequenas bolinhas nos pontos de aplicação, que, segundo o EyeWiki, costumam sumir em algumas horas ou poucos dias. Os riscos mais sérios e quem não deveria fazer estão em É seguro?, logo abaixo.
  • Desconfie de:
    • “injeção de PDRN” muito barata ou feita fora de ambiente médico;
    • kits para se injetar em casa, ou “canetas” sem agulha, vendidos pela internet;
    • produtos importados sem rótulo em português;
    • pacotes de “PDRN + exossomos” (pequenas vesículas liberadas pelas células) para aplicar com microagulhamento: costumam ser cosméticos de uso externo, que não foram feitos para entrar na pele.

Para cabelo, os estudos são outros: veja PDRN para cabelo.

É seguro?

  • Nos ensaios clínicos, feitos por médicos com produtos registrados, os efeitos colaterais das injeções foram sobretudo leves e passageiros: vermelhidão, inchaço e pequenos hematomas. Reações de hipersensibilidade são possíveis, inclusive tardias (meses depois), sobretudo com produtos que também contêm ácido hialurônico.
  • Fora dos estudos, qualquer injeção estética pode causar infecção (no Brasil há casos graves por micobactérias depois de procedimentos estéticos injetados), nódulos e inflamação persistente, principalmente quando o produto não foi feito para ser injetado ou não é estéril.
  • As injeções não são indicadas se houver infecção ativa na região (por exemplo, herpes-zóster), na gravidez e amamentação, ou em quem tem alergia a peixe ou frutos do mar. Também não são indicadas para quem usa anticoagulantes ou tem distúrbio de coagulação; se você tem doença autoimune, avise quem for aplicar. Em nenhum caso suspenda um remédio por conta própria para fazer a aplicação.
  • Procure atendimento médico se, nos dias ou semanas seguintes, surgir dor que piora, calor, pus, febre ou nódulos. Com cosméticos, suspenda o uso e procure um dermatologista se houver irritação ou reação que não passa.
  • Alergia a peixe e cosméticos: não encontramos casos publicados de reação ao PDRN em pessoas com alergia a peixe, mas isso nunca foi estudado. Em teoria o risco é baixo (o PDRN de uso médico é mais de 95% de DNA, e a alergia é causada por proteínas), mas nos cosméticos a pureza não costuma ser informada. Se você tem essa alergia, fale com um alergista ou dermatologista antes de usar qualquer produto.
  • Gravidez, amamentação e cosméticos: não há dados. Fale com o seu médico antes de começar um produto novo.

O que diz a regulação no Brasil

No parecer 2936/2025, aprovado em maio de 2025, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) relata uma consulta à base da ANVISA que encontrou 22 produtos com PDRN regularizados, todos cosméticos de uso tópico, e conclui que injetá-los não é permitido. Segundo o mesmo parecer, a Sociedade Brasileira de Dermatologia já tinha alertado, em 2023, que cosméticos não devem ser injetados.

Na prática: se alguém oferecer “injeção de PDRN”, desconfie. Peça para ver a embalagem e confira o produto na consulta de produtos da ANVISA: um injetável precisa estar registrado como medicamento ou como produto para saúde (dispositivo médico). Um número de cosmético não autoriza injeção. A busca do parecer foi por cosméticos com “PDRN” no nome, então os injetáveis de PN vendidos como “DNA de salmão” não entram nela: confira cada um na ANVISA antes de aplicar. Os registros podem ter mudado desde essa consulta. Prefira um dermatologista.

Perguntas frequentes

PDRN é esperma de salmão?

É feito a partir dele. O PDRN é uma mistura de fragmentos de DNA purificados, extraídos principalmente do esperma de truta arco-íris ou de salmão. A purificação remove as proteínas; o que fica é DNA.

Sérum de PDRN funciona igual ao injetável?

Não há evidência disso. Para cremes com PDRN de salmão na pele saudável do rosto (sem feridas nem procedimentos), encontramos um único ensaio randomizado e duplo-cego, pequeno (31 mulheres, 28 dias): cada mulher passou um creme com PDRN num lado do rosto e um com retinol no outro, e o lado com PDRN melhorou mais nas rugas ao redor dos olhos. Nenhum lado recebeu um creme sem ativo, então não se sabe quanto se deve ao PDRN. E não está claro quanto desse DNA atravessa a pele.

PDRN injetável é liberado pela ANVISA?

Até onde encontramos, não. Num parecer de maio de 2025 (2936/2025), o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) consultou a base da ANVISA e concluiu que todos os produtos com PDRN regularizados eram cosméticos de uso tópico e que injetá-los não é permitido. Um injetável precisa de registro como medicamento ou produto para saúde; um número de cosmético não autoriza injeção. Registros podem mudar: confira na ANVISA e fale com um dermatologista.

Quem tem alergia a peixe pode usar PDRN?

O risco teórico é baixo, porque a alergia a peixe é causada por proteínas e o PDRN de uso médico é mais de 95% de DNA, mas isso nunca foi estudado, e nos cosméticos a pureza não costuma ser informada. Uma referência clínica sobre injeções de polinucleotídeos (EyeWiki, da Academia Americana de Oftalmologia) as desaconselha em quem tem alergia a peixe ou frutos do mar; para cosméticos, não encontramos recomendação específica. Antes de usar qualquer produto, fale com um alergista ou dermatologista.

Quem pode aplicar injeções de PDRN ou PN?

O recomendável é que sejam aplicadas por um profissional de saúde habilitado, de preferência dermatologista, em consultório, com um produto injetável cuja embalagem e registro você possa ver. Quem pode fazer injetáveis estéticos depende das regras de cada conselho profissional. Desconfie de ofertas muito baratas, de aplicações fora de ambiente médico e de kits para se injetar em casa vendidos pela internet.

Quais são os efeitos colaterais da injeção de PDRN?

Nos ensaios, sobretudo leves e passageiros: vermelhidão, inchaço, pequenos hematomas (roxos) e pequenas bolinhas nos pontos de aplicação, que costumam sumir em algumas horas ou poucos dias. Podem ocorrer reações de hipersensibilidade, até meses depois, principalmente com produtos que também têm ácido hialurônico. Fora dos estudos, qualquer injeção estética pode infeccionar, sobretudo se o produto não foi feito para ser injetado ou não é estéril. Procure atendimento médico se surgir dor que piora, calor, pus, febre ou caroços.

Existe PDRN vegano?

Existem produtos com DNA de plantas, algas ou bactérias vendidos como 'PDRN vegetal'. É outra substância: os estudos feitos com PDRN de salmão não valem para eles, e os estudos próprios são poucos e quase todos das empresas que os vendem (o de DNA de peônia, por exemplo, teve 10 pessoas). Explicamos melhor no nosso guia de sérum de PDRN.

Fontes

  1. Squadrito F et al. The effect of PDRN, an adenosine receptor A2A agonist, on the healing of chronic diabetic foot ulcers. J Clin Endocrinol Metab, 2014
  2. Chen P et al. Guidelines on interventions to enhance healing of foot ulcers in people with diabetes (IWGDF 2023 update). Diabetes Metab Res Rev, 2024 (recomendação 24)
  3. Galeano M et al. Polydeoxyribonucleotide: a promising biological platform to accelerate impaired skin wound healing. Pharmaceuticals, 2021
  4. Lampridou S et al. The effectiveness of polynucleotides in esthetic medicine: a systematic review. J Cosmet Dermatol, 2025
  5. Notice of Retraction: Pak CS et al. (ensaio de PN para pés de galinha, 2014, incluído na revisão de Lampridou). J Korean Med Sci, 2016
  6. Alhussain AM et al. Polynucleotides and polydeoxyribonucleotides for skin rejuvenation, scar prevention and wound healing: systematic review of RCTs. Cureus, 2026
  7. Ye R et al. Topical medium-length PDRN enhances dermal extracellular matrix repair in photodamaged skin. PLoS One, 2026
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  9. Bak SU et al. Anti-aging efficacy of low-molecular-weight polydeoxyribonucleotide derived from Paeonia lactiflora. Int J Mol Sci, 2025
  10. Havas F et al. Hyaluronic acid-like skin plumping and radiance benefits of a Porphyridium sulfated exopolysaccharide- and natural PDRN-rich extract. Mar Drugs, 2026
  11. Carbonell RCC et al. Beauty's Betrayal: Mycobacterium abscessus case series following aesthetic procedures in the Brazilian Amazon. Infect Dis Rep, 2024 (PMID 39195006)
  12. Parecer CRM-PR n.º 2936/2025 sobre o uso de PDRN
  13. EyeWiki (American Academy of Ophthalmology). Periorbital polynucleotide injections
  14. K Bridge Medical (distribuidor exclusivo do Rejuran na Austrália e na Nova Zelândia). Perguntas frequentes (em inglês)
  15. K Bridge Medical. Rejuran i: como é o tratamento (em inglês)
  16. ANVISA. Consultas: produtos regularizados